Setor madeireiro aposta em novas perspectivas para melhorar negócios

Em evento promovido pela Abimci, industriais debateram uso da madeira na construção civil, cenário econômico e a nova política de floresta plantada

A plenária nacional promovida pela Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), em Curitiba (PR), no dia 24, foi mais um momento importante para o setor. A reunião, marcada pela presença de associados de diferentes regiões do país, foi a oportunidade para a discussão de temas como economia, perspectivas para o segmento, mercado, uso da madeira na construção civil e a nova política de floresta plantada que está sendo desenvolvida pelo governo federal.

O grupo de empresários ficou motivado com a oportunidade que surge com a possibilidade de ampliar o uso da madeira de floresta plantada na construção civil com a eminente aprovação do sistema construtivo wood frame pelo Ministério das Cidades. O diretor da Rede iVerde, José Márcio Fernandes, que comercializa a tecnologia no Brasil, apresentou aos presentes o primeiro condomínio do programa Minha Casa, Minha Vida, feito com esse sistema, construído em Pelotas (RS). “Com a entrega destas casas, teremos muita visibilidade para a tecnologia desenvolvida no Paraná e, consequentemente, um volume maior de demanda para o setor da madeira”, avaliou o diretor.

Para o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Paraná (Sinduscon-PR), Euclésio Finatti, que participou da reunião, este é um momento de mudança cultural no país. “Vamos trocar o uso de matérias-primas que degradam o meio ambiente como cimento e aço, pela madeira, que é renovável. É um sistema que veio para ficar”, defende.

A oportunidade que se apresenta para o setor madeireiro pode ser o impulso que as indústrias precisam para voltar a crescer, já que o segmento encolheu no Brasil nos últimos 16 anos, segundo dados apresentados pelo economista chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Segundo o economista, o setor madeireiro não acompanhou o crescimento da indústria brasileira a partir de 2008, período da crise americana que afetou, principalmente, a exportação de painéis de compensado brasileiro para esse mercado.

Embora o comparativo a médio prazo seja desvantajoso para a indústria da madeira, indicadores revelam que em 2013 o desempenho do setor está melhor do que a média da indústria de transformação. Nos últimos 12 meses, até maio de 2013, a indústria teve um aumento de faturamento real de 3,6%, enquanto o setor madeireiro registrou alta de 5,3%. A média produzida como um todo pela indústria cresceu apenas 0,4%, enquanto o segmento da madeira cresceu 8%. E quanto à utilização da capacidade instalada, não houve qualquer variação na média da indústria geral, enquanto na indústria da madeira o indicador teve alta de 2,3%.

Política

Outro assunto de destaque na reunião foi a nova Política Brasileira de Florestas Plantadas, apresentada pelo assessor da Subsecretaria de Desenvolvimento Sustentável da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Fernando Castanheira Neto. A SAE vem conduzindo a formulação da Política, que tem como uma das estratégias criar mecanismos de fomento econômico ao setor para atrair investimentos, reduzir riscos e inserir pequenos e médios produtores neste mercado, além de gerar emprego e renda. Durante a reunião, os empresários puderam contribuir com ideias para o documento que está sendo elaborado.

Na avaliação do superintendente da Abimci, Paulo Pupo, esta é a oportunidade pela qual o setor aguardava e, por isso, é importante a participação dos associados no debate de temas relevantes para que soluções conjuntas sejam construídas. “A Abimci tem trabalhado, em parceria com outras entidades, pela desoneração da folha de pagamento e a substituição tributária, que somadas a fatos como o da aprovação do sistema wood frame e a existência de uma política pública de florestas plantadas, contribuirão para o crescimento do setor madeireiro”, afirma.

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Jornalista responsável: Juliane Ferreira

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Fonte: abimci.com.br/

Setor madeireiro: moderno por combater o desmatamento

Um levantamento inédito sobre a produção de madeira na Amazônia Legal aponta umaqueda significativa no consumo de madeira em tora entre 1998 e 2009. No final da década de 90, o consumo foi de 28,3 milhões de metros cúbicos. No ano passado, o volume caiu pela metade e atingiu 14,2 milhões de metros cúbicos.

Para Alberto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a redução da produção de madeira tem a ver com mudanças no mercado (substituição do uso da madeira por plástico PVC, metais e madeira de florestamento – MDF) e com o aumento da fiscalização. Para ele, o mercado está “mudando de perfil” e caminha para o fornecimento regular (sem problema de licenciamento) de produtos uniformes com origem certificada.

O diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) – órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente e parceiro do Imazon na realização do levantamento -, Antônio Carlos Hummel, também confirma a modernização do setor.

Para Hummel, a queda ocorreu por causa da diminuição de produção ilegal de madeira graças à chamada “política de comando e controle” (fiscalização), à suspensão dos planos de manejo em terra pública e à substituição das antigas autorizações de transporte de produtos florestais – ATPF, que eram impressas (e falsificadas), pelo Documento de Origem Floresta (DOF) que tem controle eletrônico.

De acordo com Alberto Veríssimo, as medidas resultaram no fechamento de muitas madeireiras. “Houve uma crise severa para quem dependia da atividade ilegal.” Ele aponta, no entanto, que há saída e compara a situação dos municípios vizinhos de Tailândia e Paragominas (ambos no nordeste do Pará). Segundo ele, Paragominas mantém a produção com madeira de reflorestamento e Tailândia ainda vive problemas com o fechamento das antigas madeireiras.

O Imazon prepara-se para divulgar novo diagnóstico do setor moveleiro no qual verificará o aumento da produção de MDF em todo o país (originário de plantações de pinus e eucalipto), inclusive na Amazônia.

“A madeira tropical (como cedro, ipê e maçaranduba) será usada apenas para o mercado de luxo”, prevê Alberto Veríssimo que imagina que a Amazônia, que vende 72% da sua produção de madeira em forma de tábua (sem valor agregado), sofisticará a produção unindo tecnologia para a produção de piso e esquadrias, por exemplo.

Veríssimo e Hummel alertam, no entanto, para as mudanças propostas no Código Florestal, segundo relatório elaborado pelo deputado federal Aldo Rabelo (PCdoB-SP), que deverá ir a votação na próxima semana em comissão especial da Câmara dos Deputados. “Esse relatório tem equívocos conceituais graves e merece um debate maior. É um retrocesso”, classificou Hummel.

Alberto Veríssimo avalia que o relatório “é muito parcial” e sinaliza “um afrouxamento das regras”.

Para Hummel, a saída para o setor madeireiro é fazer manejo florestal em áreas concedidas como na Floresta Nacional de Jamari (RO). Segundo ele, até o final do ano, 900 mil hectares serão concedidos para exploração legal de madeira nas florestas nacionais de Jamari (RO), Saraca-Taquera, Amana e Crepori, no Pará.

Em 2009, a indústria madeireira da Amazônia Legal gerou 204 mil postos de trabalho diretos e indiretos e movimentou cerca de R$ 5 bilhões. O Pará participou com 43% da receita, Mato Grosso, com 33%; e Rondônia, com 15%. Os três estados são historicamente os que mais desmatam a floresta.

O relatório do Imazon e do SFB A Atividade Madeireira na Amazônia Brasileira: Produção, Receita e Mercados está disponível na internet.

Nota publicada no site Agência Brasil

Fonte: planetasustentavel.abril.com.br